UTC deixa de ter segundo bissexto a partir de maio de 2027, e o motivo é a rotação da Terra
A Conferência Geral de Pesos e Medidas antecipou de 2035 para 20 de maio de 2027 o UTC sem segundos extras. A folga para a rotação da Terra vai a uma hora.

A partir de 20 de maio de 2027, o Tempo Universal Coordenado, o UTC, deixa de receber segundos bissextos. É o horário de referência de computadores, satélites e redes do mundo inteiro. A decisão foi tomada na quinta-feira (15) pela Conferência Geral de Pesos e Medidas (CGPM), na sua 28ª reunião, e antecipa um fim que estava marcado para até 2035.
O que é o segundo bissexto
O UTC anda no ritmo dos relógios atômicos, que não variam. A rotação da Terra varia. Para que o horário oficial não se afastasse do dia astronômico, um segundo extra era acrescentado de tempos em tempos.
Pela resolução aprovada, isso acaba. O UTC passa a ser contínuo, e a diferença máxima permitida entre ele e o tempo medido pela rotação da Terra (o UT1) sobe para 3.600 segundos, uma hora inteira. A conferência diz que isso garante a continuidade do UTC por vários séculos. O The Verge explica que a próxima correção seria de uma hora inteira, o que não deve ser necessário antes de uns 3.000 anos.

Por que antecipar
O motivo é inédito: a Terra pode passar a exigir que se tire um segundo do relógio, em vez de acrescentar. Um segundo bissexto negativo nunca foi aplicado. Segundo a resolução, um encontro de especialistas em rotação da Terra estimou, em março de 2025, que a chance de ele ser necessário cresce rápido e chega a 30% até 2035.
A conferência considerou alto o risco de falhas em infraestruturas críticas, que estão em grande parte despreparadas para isso, e comparou o investimento necessário para prepará-las ao que foi gasto com o bug do milênio. O texto cita transporte, distribuição de energia, telecomunicações e projetos espaciais entre os que precisam de um UTC sem ajustes.
Há ainda um problema que já existe hoje. Cada grande empresa absorve o segundo extra nos servidores do seu jeito, para evitar um salto no relógio, e isso deixa sistemas diferentes com horários levemente diferentes.
Um histórico de panes
O medo tem base. O The Verge lembra que Foursquare, Reddit, LinkedIn e Yelp já saíram do ar quando um segundo bissexto foi acrescentado, e que Meta, Google, Microsoft e Amazon apoiaram o fim do sistema.

O que muda para quem programa
Na análise do Setup do Dev, para a maior parte do código a notícia é boa: um caso especial a menos. O minuto de 61 segundos, com o 23:59:60, deixa de aparecer depois de maio de 2027, e o segundo negativo, que ninguém testou em produção, não vai acontecer.
Duas coisas continuam valendo. Os dados antigos têm os segundos bissextos já aplicados, então quem calcula intervalos exatos entre datas passadas ainda precisa da tabela deles. E quem usa o UT1, como astronomia e navegação, vai consultar a diferença publicada pelo IERS, pelos institutos de metrologia e pelas mensagens dos sistemas de satélite, como a própria resolução prevê. Para o resto, o UTC vira, enfim, um relógio contínuo.
Fontes: BIPM (Resolução 5 da 28ª CGPM), The Verge
Produzido com auxílio de IA e revisado pela redação.
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